Clínica Psiquiátrica curitiba

Juízo crítico nada mais é que a capacidade do indivíduo ter ciência e clareza dos seus atos e as consequências atreladas a eles.

Ciência. Refere-se a capacidade do indivíduo em ter noção, consciência das suas falas, pensamentos e comportamentos.

 Clareza. Refere-se a capacidade do indivíduo em organizar as idéias e as explanar ordenadamente.

 O juízo crítico é fundamental e imprescindível para haver a consciência do “eu” próprio e as implicações do seu “ser” no mundo. A perda do juízo crítico pode ser parcial ou total. Advém de inúmeras patologias e deve ser avaliado em qualquer entrevista psiquiátrica. Determina a capacidade de entendimentos dos seus atos e isso implica na possibilidade de julgamento do indivíduo nas esferas legais.

Para isso existem os seguintes termos: imputabulidade, semi-imputabilidade e inimputabilidade.

A diferença entre elas se refere a capacidade de entendimento do indivíduo, no momento de determinada ação, em responder (saber exatamente o que esta fazendo e suas consequências legais) pelos seus atos. Essa capacidade pode ser plena, parcial ou inexistente.

Aqui entra as doenças mentais. Qual a real capacidade do indivíduo em saber o que está fazendo, falando ou buscando e quais as suas implicações legais?

Diversas patologias psiquiátricas promovem rebaixamento do juízo crítico. As pessoas não têm noção ou clareza dos seus atos. Pratica a ação e não tem a medida das consequências destas.

A obra: “A liberdade Guiando o Povo”, de Eugène Delacroix (1830), foi vandalizada em 2013, no Louvre, por uma mulher que apresentava um transtorno psiquiátrico.

É muito comum em um quadro delirante o paciente fazer uma associação frouxa de idéias juntando diversos contextos  sem correlação real alguma entre eles, para realizar ou justificar determinado ato desmedido e sem uma fundamentação lógica.

O quadro pode ser considerado um poderoso ícone das revoluções ocorridas durante o final do século XVIII e primeira metade do século XIX e das lutas das camadas populares pela tão sonhada igualdade, uma das obras mais importantes representantes do Romantismo.

A pintura mostra a insurreição das classes oprimidas, uma multidão de homens e jovens com armas e espadas nas mãos, surgindo de uma nuvem de poeira e fumaça, derrubando as barricadas e vindo implacável ao encontro do espectador, um garoto com pistolas nas mãos e um grito de guerra na boca, avançando sobre o pé direito e exortando os companheiros à batalha; tudo ganhando uma enorme força na representação de uma revolta irrefreável.

Porém, a principal protagonista da obra é a Liberdade, representada por uma mulher, trazendo os corpos dos soldados adversários mortos aos seus pés. É bastante chamativo a forma como ela é retratada: uma filha do povo, nascida do povo, viva, determinada e impetuosa, encarnando a revolta, surgindo da sombra para a luz como uma chama e segurando a bandeira francesa como um símbolo de luta, ela volta o rosto para seus companheiros de forma a chamá-los e guiá-los à vitória final. A Liberdade aqui, usando até um fuzil, é uma alegoria com visão moderna, atual e real.

“A Liberdade Guiando o Povo” é uma visão romântica sobre a Revolução Francesa de julho de 1830. Na altura, a França era governada pelo Rei Carlos X, que permaneceu no poder durante seis anos. Quando Carlos X tentou abolir a liberdade de imprensa e dissolver a recém eleita assembleia, teve início a revolução. O rei é destronado, e Louis-Philippe, um membro mais liberal da família real, assume o poder. É o último rei francês, tendo abdicado em 1848.

O quadro perturbou tanto os realistas quanto os revolucionários. Foi adquirida pelo Estado por 3 mil francos, e devolvida ao artista, que a deixou na casa de campo de uma tia sua. Durante muito tempo, evitou-se expor a obra publicamente. Foi apenas em 1874 que o quadro foi adquirido pelo Museu do Louvre, e exposto com honrarias.

As pinceladas de Delacroix são visíveis na tela, o que contraria as regras acadêmicas que determinavam que a pincelada devia ser “invisível”.

A liberdade foi representada como uma deusa clássica, sinônimo de virtude e eternidade. No entanto, os seus traços robustos são comuns ao povo francês, há pelos nas axilas e a mulher não flutua sobre o campo de batalha, mas mistura-se a ele, sujando as próprias mãos. Empunha uma arma moderna – um mosquete.

Os mortos são membros da guarda de elite do rei. Por ser uma guerra civil, os revolucionários lutam contra pessoas muito próximas a eles, seus vizinhos e conterrâneos. Outro fator que torna a obra complexa e ambígua é a presença deste cadáver desnudado, um homem desprovido da sua dignidade. As suas roupas foram roubadas, e provavelmente pelos revoltosos. Outros personagens do quadro apresentam-se com objetos roubados dos cadáveres. Assim, mesmo entre aqueles que lutam pela liberdade, há atitudes censuráveis.

Duas bandeiras são retratadas no quadro, uma empunhada pela liberdade, e outra sobre a Catedral de Notre Dame. A bandeira tricolor foi utilizada na Revolução Francesa de 1789 e nas guerras de Napoleão. Após a derrota deste em Waterloo, a bandeira não foi mais utilizada. O regresso deste símbolo é carregado de emoção, como se o povo reconquistasse o seu orgulho, após a restauração da monarquia. O centro da revolução de 1830 foi a Ponte d‘ Arcole, e provavelmente este é o cenário da pintura. Porém, nenhum posto de observação permite esta vista de Notre Dame. Como outros pintores românticos, Delacroix abdica de uma fidelidade literal aos factos em prol de um maior efeito dramático. Converte acontecimentos contemporâneos em imagens míticas.

A pintura é uma composição clássica, em pirâmide, na qual a liberdade ocupa o vértice da pirâmide. O mosquete com baioneta que a liberdade impunha, cria uma linha paralela com a arma empunhada pela criança. No restante do quadro, várias linhas diagonais trazem dinamismo à composição.

As cores vivas da bandeira auxiliam o destaque para a mulher que simboliza a liberdade. Nota-se que o vermelho da bandeira está sobre o céu azul, o que o salienta ainda mais. As cores repetem-se nas roupas do trabalhador aos pés da liberdade. As vestes da liberdade são pintadas num tom mais claro do que aqueles encontrados no restante da pintura, facilitando o sentido de leitura.

A obra, danificada no Louvre, já foi restaurada e reexposta. A mulher, que havia sido detida e não teve sua identidade revelada, devido falta de juízo crítico no momento da ação (inimputável) foi encaminhada para tratamento psiquiátrico em um hospital daquele país.

Dr. João Luiz da Fonseca Martins. Médico Psiquiatra, CRM-PR 24.289 e RQE 3.011.

Diretor Técnico Clínica Iátrica.

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